Não me havia dado conta, não havia percebido, que esse rio as margens de quem a cidade está é seu sopro de vida ! E só agora, carniça na terceira idade, ouvi o seu murmúrio e o reconheci como algo familiar, que a muito tempo não ouvia e fechei os olhos e senti uma brisa vindo dele, algo que só agora compreendi! Que é algo que vem daquele em que toda a matéria desse universo se cria, de corpo de quem cada um de nossos prótons. nêutrons e elétrons se cria, que vem daquele em quem se cria o que em cada um de nós vê, ouve e sente e pensa e o que cada um de nós vê, ouve e sente! E me lembrei de uma foto que vi há muito tempo, de um trapiche em algum rio do Mato Grosso em que havia umas cinquenta mil pessoas cada uma delas com um caniço e pescando e botando o peixe pescado de volta para o rio e de ser por ser algo que não pode acabar, de se ir para a beira de um rio ao fim do dia e dele tirar um peixe gordo para COME-LO ! DEVORA-LO ! E lembrei também que quando estudava ia no intervalo do almoço para o fundo do colégio que dava para o rio e levava comigo linha e anzol e pescava ali uns lambaris e que nisso pensava: a água está doente ! Eu estou doente ! A vida está doente! E a primeira coisa que se deve fazer para cuidar da própria saúde é cuidar da saúde das águas do rio de onde tira a água para beber e peixe para comer! E já estamos no século XXI depois de Cristo e ainda não aprendemos a lidar com o nosso próprio pinico!